Próximos passos…

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Agora começa a aventura mesmo! São muitos os exames a realizar e você tem que conciliar trabalho, vida pessoal (que fica uma bagunça só, por conta da ansiedade e expectativa) e rotina médica e laboratorial.

Eu me estressei muito nessa fase, porque a dificuldade de marcar todos os exames no mesmo lugar era enorme, e eu só tinha uma guia. Portanto, pra quem ainda tá nessa fase, dica: peça ao seu médico guias individuais, ou para desmembrá-la, como no meu caso (e se não fosse uma amiga muito especial, que se dispôs a retirá-las para mim, estariam lá até hoje, confesso!).

Como sou muito impaciente, a improdutividade nos agendamentos me deixaram tão desmotivada que adiei por 7 meses esse assunto. NÃO FAÇAM ISSO, porque agora estou morrendo de vergonha de voltar no médico (rs), sem contar que nesse hiato não fui à nutricionista, primeira recomendação dele para iniciar dieta, já que devo perder 10% do meu peso atual para otimizar minhas condições cardio-respiratórias e minimizar os riscos cirúrgicos.

Por fim, consegui – por indicação de uma amiga do trabalho-, encontrar um laboratório que realizasse todos os exames (exceto o de Função Pulmonar, que deve ser realizado num Pneumologista) e marquei-os divididos em 2 datas!

Ao chegar o primeiro dia, imaginem o misto de medo e ansiedade! Todo aquele pré-preparo, o jejum de 12 horas, o receio de perder a hora… Dramaticidade é o meu forte! Rs… Mas no final deu tudo certo, como sempre dá!

E depois da batalha vencida, saí de lá tão sorridente que até hoje a colega de baia do trabalho da minha irmã (que fica a algumas quadras do laboratório) pergunta pela irmã “alegre, feliz” e manda beijo pra mim… Kkkkk…

Nem preciso dizer que na segunda sessão de exames também transcorreu tudo bem (ops, já disse! rs), a salvo pelo fato de eu estar bem nervosa com a endoscopia digestiva (era minha primeira vez, né?!) e tê-la feito sóbria, na raça, sem nenhum efeito de sedativo, porque tá aí mais uma desvantagem de ser gorda: a médica e as assistentes eram todas mulheres e, de certo, tiveram receio de injetar todo o conteúdo da seringa e eu cair no mais profundo dos sonos (e olha que eu estava doida pra experimentar, até porque dizem que é maneiro e ocasiona amnésia recente), afinal, como me carregariam para a sala de repouso depois? É, só eu entrei acordada na sala e pelas próprias pernas. Rsrsrs…

Já peguei todos os resultados, agora só falta marcar Pneumo e Nutri pra poder botar a cara lisa na porta do consultório do Dr. Luiz Vicente. Avante e Marche!

Segue a consulta…

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O médico cirurgião gastroenterologista, Dr. Luiz Vicente Berti, me pergunta por que estou ali, e em poucas palavras tentei resumir o meu histórico com o excesso de peso e como já se esgotaram minhas forças mediante as tentativas de emagrecimento. Então ele passa a discursar sobre a obesidade, de onde ela vem, todas as formas de, e solta uma frase que, pra mim, pode até ser que seja um apelo emocional, e de fato o é, porque constitui a verdade, e me impactou profundamente:

“A obesidade é uma doença do corpo, mas é, principalmente, uma doença da alma.”

E assim prosseguiu em sua convicção de como a cirurgia é uma ferramenta importante no combate a essa crescente condição física, principalmente quando associada à comorbidades (doenças consequentes da obesidade).

Como sou racional, me ganhou a dissertação sobre como nossos antepassados precisavam ir à caça para se alimentar, já que frutos e hortaliças tinham de ser disputados com os animais se quisessem comer; como não dispunham das tecnologias que desfrutamos hoje, tampouco transporte, o que os obrigavam a andar léguas, se exercitarem, o que configurava um gasto calórico bem maior que o consumo. Hoje temos tudo ao nosso dispor, além de uma vasta gama de produtos alimentícios ao alcance das mãos nas prateleiras dos supermercados… Portanto, a tendência é que estejamos cada vez mais estáticos, pois trabalhamos sentados, passamos horas em frente ao computador, nos locomovemos por meio de veículos motorizados, e nos alimentamos cada mais inadequadamente.

Um discurso tão óbvio, tão simples, que não requer de nós nenhum esforço para compreendê-lo. Mas a verdade implícita nesse contexto é que nosso sistema digestivo, acumulador, ao longo desses anos foi modificando-se, expandindo-se, adaptando-se, e comunica-se com o cérebro de uma forma bem retrógrada, baseada em sua memória genética. E a grande sacada da cirurgia é que ela engana, temporariamente, esses mecanismos, e aliada à reeducação alimentar e atividade física, podemos recuperar a forma e mantê-la (sempre lembrando que é uma arma para combater o excesso, e que só dá resultados se houver dedicação, mas de forma justa equipara-se a um organismo são, um metabolismo que não é mais preguiçoso, por isso o sucesso!).

Enfim, saí do consultório bem convencida, mas não iludida, afinal, o percurso é longo. Deve-se participar de palestras, realizar uma bateria de exames, consultar-se com diversos especialistas (endocrinologista, cardiologista, pneumologista, nutricionista, psiquiatra, psicólogo), os quais deverão emitir laudos para a liberação do procedimento cirúrgico. Por essa razão é um processo minucioso, que sem o auxílio de uma equipe multidisciplinar torna impossível a sua execução.

Minha primeira consulta ao Gastro

São muitos os blogs explicativos sobre Gastroplastia, por isso não me aterei aos detalhes do procedimento em si; até porque todo candidato a realizá-la obterá todas as informações de seu médico e, provavelmente, frequentará palestras para sanar todas as dúvidas.

Em tantos anos de ida ao endocrinologista, sempre me recomendaram a cirurgia bariátrica, porém meu medo era enorme; achava radical demais, não conhecia de perto pessoas que a tinham feito, além da desconfiança de que nascia ali mais uma indústria, como a farmacêutica. Pra piorar, li um artigo numa revista de jornal sobre os ‘contras’, os pontos negativos, cheia de testemunhos de pessoas que já haviam operado, pois até então só eram exaltados os ‘pós’ da milagrosa cirurgia.

De certo modo, mesmo que muitas vezes eu me arrependa do tempo perdido, vejo como tudo cooperou para o bem, afinal, a cirurgia evoluiu muito, em todos os sentidos. Hoje já podemos fazê-la por videolaparoscopia, o que reduz o tempo de internação e de recuperação, temos várias opções de métodos, os quais serão analisados junto ao médico, que indicará qual o mais adequado para cada paciente.

Enfim, tenho uma amiga que a alguns anos atrás fez todos os exames preparatórios, estava na reta final, e acabou não conseguindo operar porque sua avó adoeceu e ela tinha que levá-la ao médico com frequência, além de cuidar da casa e dar conta do trabalho. Ano passado ela retomou o projeto e, pelo apoio mútuo, a troca de figurinhas, os muitos ‘antes e depois’ em blogs de gastroplatizados, acabei convencida a marcar uma consulta com o mesmo médico dela, no Instituto Garrido.

No dia da consulta ela me acompanhou (pra assegurar que eu não fugiria… rs) e já de cara fiquei impressionada com tantas gordinhas lindas no consultório! E enquanto aguardávamos a minha vez, eis que uma moça super magra entrou, sentou-se, e me perguntei o que ela estava fazendo ali, até que todos começaram a fazer perguntas sobre como era a vida dela pós-cirurgia. Gente, falando sério, não parecia que ela já tinha sido gorda! Quando a chamaram, todos a seguiram com os olhos enquanto ia pelo corredor da clínica.

Enfim, minha vez chegou também… Entramos na sala médica, eu e minha amiga (pra quem a situação já era confortabilíssima), e a consulta fluiu muito tranquilamente.

(continua)

Onde tudo começa!

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Desafios são, na grande maioria, motivados por sonhos, por necessidade de mudança, ou de melhoria na qualidade de vida, condições financeiras, projeto familiar, plano de carreira, realização pessoal… Outros são simplesmente projetados por um doloroso e sonoro BASTA! E, geralmente, a urgência que o acompanha se dá justamente porque já comprometeu todas as demais áreas da vida.

Foi assim comigo, que diante de uma enorme impotência em relação a minha obesidade, tentei conviver com ela, alimentando-a e concedendo-lhe poder. Até que deixei de existir e passei a servi-la como escrava, inconsciente e involuntariamente.

Mas como existe tempo pra tudo e para cada pessoa, finalmente emergi de um fundo de poço e, cansada, resolvi procurar ajuda; a mesma que deveras recusei por medo de enfrentar a situação e lidar com as consequências da minha submissão.

Em outubro de 2012 dei o primeiro passo rumo a uma nova vida. E ainda tenho caminhado devagar na direção do meu projeto de transformação, mas tenho certeza que será permanente!